7 lições que aprendi viajando

Por Isa Gama

Frases comuns de se ouvir quando alguém volta de uma viagem que viveu tudo de coração aberto:

“Fui uma pessoa e voltei outra.”

“Foi a melhor coisa que fiz na minha vida.”

“Hoje sou uma pessoa bem melhor.”

“Saí da minha zona de conforto.”

Você quer entender na prática o porquê? Então te darei exemplos reais de situações pelas quais eu passei e que me transformaram de uma forma que não tem volta.

1. Paciência

A transformação já começou ao sair do Brasil. Fiz check in e entrei na área de embarque UMA hora antes do voo sair. Porém, meu voo atrasou DUAS horas. E como eu estava indo para Dubai, iria ficar mais CATORZE horas dentro do avião.

Ao chegar em Dubai, demorei mais DUAS horas para tirar o visto, pegar a mala e poder finalmente sair do aeroporto para… fumar!

Sim, eu infelizmente ainda fumo. E pra mim foi um exercício de paciência ficar quase DEZENOVE horas sem fumar, mas consegui completar a missão com bom humor. Quem é fumante sabe do que eu estou falando e deve pensar que vai morrer se ficar tanto tempo sem cigarro.

Primeira lição aprendida: paciência e confiança para largar o cigarro assim que eu decidir (sim, pq não quero largar por enquanto.)

2.  Tolerância

Eu já era uma pessoa que respeitava as diferenças, mas mesmo assim ainda considerava algumas coisas absurdas. Por exemplo, eu achava que as mulheres da região islâmica eram submissas por não aceitarem andar sem burca ou véu.

Foi visitando os Emirados Árabes que desconstruí essa opinião ao ver mulheres andando juntas e rindo, e a lição melhor foi quando peguei um ônibus de Abu Dhabi para Dubai e o motorista colocou todas as mulheres para entrarem primeiro e sentarem nas primeiras poltronas. Não era permitido sentar atrás e nem junto com algum homem.

Segunda lição aprendida: acredito que a intenção deles ao separar as mulheres no ônibus é evitar desconforto caso algum homem queira cortejar/desrespeitar uma mulher. Eu nunca tinha pensado por esse ponto de vista antes. Aprendi a tolerar e parar de julgar o que eu não conheço.

3. Respeito

Quando estudei inglês em Malta, tive um colega de 18 anos natural da Líbia – país africano que era uma ditadura e após a queda do ditador Muammar Kadhafi, que foi assassinado em 2011, até agora (2015) não foi estabelecido um novo governo.

Estávamos conversando durante a aula sobre a opinião de cada um sobre o governo de seu país quando este colega não quis emitir a opinião. Nisso, uma outra colega pesquisou no celular imagens do ditador e o Google retornou com várias imagens do Kadhafi assassinado e mostrou para a sala.

Como boa curiosa que sou, perguntei porque o ditador tinha sido assassinado. Meu colega fechou a cara e mandou eu procurar na internet. Insisti e ele disse que não iria falar pois não gostava de tocar no assunto. Fiquei curiosa e acabei lendo o livro “O Harém de Kadhafi” para entender o que se passou na Líbia.

Dias depois, ele falou durante a aula (por vontade própria) que após a morte do ditador, a família dele teve que se mudar de cidade e estava morando junto com várias outras famílias na mesma casa e todos andavam armados por medo da violência.

É também o respeito que faz você fazer amizade com qualquer pessoa e ganhar abraços sinceros e momentos de risadas genuínas.

 

Terceira lição aprendida: respeitar quando uma pessoa não quer tocar em algum assunto. Em um primeiro momento pode parecer que é por preguiça de falar, mas às vezes a ferida pode estar tentando cicatrizar e a pessoa simplesmente não quer abri-la novamente. Pela leitura do livro, descobri que o ditador estuprou veladamente milhares de mulheres e que elas jamais contariam nem para os familiares mais próximos, pois isso poderia ferir a honra da família segundo as tradições deles. Porém, após a queda do ditador isso veio à tona.

4. Confiança

Estamos tão acostumados com a violência que achamos que o mundo é um lugar perigoso e que nenhum desconhecido é confiável. Na verdade, a frase anterior é um senso comum.

Em Paris, me hospedei – através do couchsurfing – no apartamento de duas francesas que cederam o quarto de uma delas pra eu dormir. No quarto tinha computador, câmera, livros, roupas, vários objetos nas prateleiras, um monte de coisas em cima da escrivaninha e tudo continuou como estava. Elas confiaram em mim sem nunca terem me visto antes.

Em Bratislava, na Eslováquia, saí pra jantar com um pessoal que estava no hostel e aceitei cortar caminho por um local desconhecido à noite. Passamos em algumas ruas quase sem iluminação mas eu confiei neles e acabamos realmente chegando mais rápido ao local em que iríamos jantar. No dia seguinte fomos andar juntos pela cidade.

 

Em Cracóvia, na Polônia, fui para um PubCrawl com uma australiana que conheci na viagem noturna de trem e que por coincidência estava no mesmo hostel que eu. Ela deixou o iphone, passaporte, cartões e dinheiro dela comigo, tudo na minha bolsa. Tínhamos nos conhecido no mesmo dia e ela confiou em mim.

Quarta lição aprendida: existem muitas pessoas boas no mundo, e isso nos gera esperança de que podemos sim fazer do mundo um lugar melhor pra se viver. Sentir confiança nas pessoas e passar confiança é uma das melhores coisas da vida. Por este motivo que voltamos com a sensação de sermos mais capazes.

5. Solidão

 

Eu nunca sabia se iria conhecer alguém ou não antes de ir para algum lugar novo e isso não me incomodava. Conversei comigo mesma por várias vezes e foram os melhores papos que já tive internamente. Aprendi a me conhecer mais, identificar o que realmente faz sentido pra mim.

Um dia, em Barcelona, fui conhecer o Camp Nou e sentei em uma praça próxima de lá onde devo ter ficado umas duas horas observando o movimento, pensando na vida, imaginando o futuro, fazendo uma retrospectiva do passado e me senti extremamente feliz por estar ali.

Em Crácovia eu ria muito conversando comigo mesma enquanto andava na rua, eu mesma perguntava e eu mesma respondia, esse tipo de conversa me fizeram ficar muito amiga de mim mesma. haha

Quinta lição aprendida: ficar sozinha é uma das melhores coisas da vida, ser auto-suficiente com relação aos nossos sentimentos é muito bom e todo mundo deveria tentar um dia. É o maior bem que podemos fazer para nós mesmos.

6. Desapego

Passei dois meses sabendo que tudo que eu tinha estava dentro da mochila e não parecia me faltar nada. Quando precisei de mais espaço porque tive que comprar um tênis mais quente e roupa de frio, analisei o que eu tinha e me desfiz com muita facilidade de algumas coisas.

Não me importei de aparecer igual em todas as fotos – porque eu só tinha duas opções de casaco, e me sentia extremamente feliz quando o hostel disponibilizava lavadora de roupas e secadora grátis. (Tão feliz que até filmei minhas roupas lavando…  Abaixo é um print do vídeo que transformei em foto)

Sexta lição aprendida: a gente precisa de muito pouco para ser feliz. Quando percebemos isso a felicidade plena aparece.

7. Humildade

Essa foi uma das mais fortes pra mim. No último dia do meu mochilão, eu tinha dormido no chão do aeroporto em Viena, na Áustria, e meu voo para Malta era 10:30 da manhã. Eu chegaria lá no horário do almoço, iria para a casa da romena que fiz amizade quando estava lá, descansaria, dormiria e, no dia seguinte, pegaria o voo para voltar ao Brasil.

Entrei na área de embarque e quando olhei o painel com os voos para saber qual era o meu portão, tinha um voo para Malta às 10:45 e eu achei que era o meu voo que estava atrasado e acabei indo parar no portão errado. Resultado: perdi o voo.

Era meu penúltimo dia de viagem e eu não tinha dinheiro vivo para comprar um novo voo, meu cartão de crédito não funcionava, a embaixada do Brasil não me ajudou em nada – pelo contrário, só me fizeram sentir mais desamparada – e eu não sabia o que fazer, quando decidi fazer uma plaquinha pedindo dinheiro e sentar no chão do aeroporto.

A solidariedade das pessoas comigo foi inesquecível. Até hoje rezo pelas pessoas que me ajudaram. No final acabei conseguindo sacar dinheiro do cartão de crédito (eu não tinha pensado nessa possibilidade antes no desespero) com a ajuda de um menino da Eslováquia que sentou e conversou comigo vendo meu choro e consegui comprar o voo.

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