A nova cara do carnaval de São Paulo

“Minha carne é de carnaval
O meu coração é igual”

 

 

Já cantavam os Novos Baianos em Swing de Campo Grande, uma ode ao carnaval e ele vem chegando. Cheio de cores, sons, aromas, texturas e brilhos! São Paulo já sofreu com o título de túmulo do samba e com a pecha de que havia findado o seu carnaval de rua. Na competição com os cariocas, perdíamos não só no quesito carnaval mais popular, mas também no comandado pelas escolas de samba que ocupam o Anhembi com suas alas e carros alegóricos. De fato, o Rio de Janeiro é conhecido internacionalmente pelo samba e por seu carnaval. É isto o que atrai turista do mundo inteiro no feriado em que o Brasil inteiro aguarda e que dizem, ser depois dele o início de um novo ano.

Venho aqui na defesa paulistana para afirmar que o carnaval da cidade está de cara nova! O movimento de transformação desta festa popular começou a se dar lá pelos idos de 2010, em que os blocos pouco a pouco foram tomando espaço. Se já vivenciamos blocos carnavalescos pautados no assédio sexual e moral às mulheres, temos agora um carnaval plural. Esta diversidade se dá nas características dos blocos.

Ilu Obá de Min no Carnaval 2014 // Foto: Érica Catarina Pontes

Entre os blocos comandados por mulheres, temos o tradicionalíssimo Ilu Obá de Min, que invade as ruas do centro de São Paulo e é o responsável por abrir o nosso carnaval de rua, na sexta-feira. A sua proposta é o resgate de tradições afrobrasileiras e o empoderamento feminino. Colocando-se como o primeiro bloco preto de São Paulo, temos o Ilu Inã vinculado ao Aparelha Luzia, espaço de cultura e resistência, na região da Santa Cecília.

Bloco Pagu // Divulgação

Levantando o debate da equidade de gêneros, temos o Pagu, que conta Barbara Eugênia, Julia Valiengo da Trupe Chá de Boldo e Soledad como intérpretes principais, responsáveis por entoar clássicos da MPB no centro histórico da cidade.

Acadêmicos do Baixo Augusta

Falando em tradição, não podemos deixar de falar sobre o Acadêmicos do Baixo Augusta, fundado em 2009, com uma história que se confunde com a própria retomada do carnaval de rua. Empresários e moradores da região, se uniram a fim de construir uma festa democrática e com este propósito, acabaram por lançar a Casa do Baixo Augusta, próxima à praça Roosevelt, em outubro de 2017.

Na mesma região, temos o já clássico Me fode que eu sou produção, que começou pela iniciativa de produtores culturais. Mas a inovação deste ano é que eles se juntam ao coletivo Venga Venga, conhecido em São Paulo por conduzir o antigo Ciga-nos, e temos agora o Blocú.

Bloco Fluvial do Peixe Seco (2015)
Homenagem ao Ribeirão Anhangabaú
Foto: Vanessa Zettler

Dentro da chave de discussões políticas, temos o Bloco Fluvial do Peixe Seco, que discute a retificação dos rios na cidade e o seu percurso costuma ser ao longo do rio em questão. Em 2018, o percurso se dá pelo Canindé, acompanhando o curso do rio Tietê. Trazendo a questão da legalização do aborto, temos a primeira edição do Legaliza pra nóis não morrê.

Uma das grandes novidades deste ano é o bloco comandado pelo BaianaSystem, grupo que mistura ritmos afro-latinos como frevo, samba-reggae, pagode, groove arrastado, ijexá, kuduro, bass music e cumbia, entre outros.

Concentrei as dicas nos blocos invadindo o chamado centro velho e que por muitos anos, foi considerado morto culturalmente e que agora tem visto o fortalecimento da ocupação dos espaços públicos da cidade.


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2 comentários em “A nova cara do carnaval de São Paulo

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