O leme da vida

Por Fernanda Pereira Liguori

Desde criança, correr o mundo estava nos meus planos. Influência de um tataravô viajante e do meu pai que conheceu o Brasil trabalhando como geólogo. Sempre fui fascinada por conhecer certos lugares, por histórias de viajantes que desbravaram o mundo. Quando pequena e na adolescência minha forma de viajar era pela literatura, pela televisão, pelo cinema. Tanto que escolhi o curso de Turismo para cursar na universidade. Durante a faculdade, dois relatos de velejadores marcaram muito minha vida: Heloisa Schurmann e Amyr Klink. Meu sonho mesmo era ter um veleiro. No entanto, início de carreira, baixo salário, crise econômica, me fizeram adormecer o sonho.

Pensei então em intercâmbio remunerado, trabalhando de babá nos Estados Unidos pelo programa Au Pair. Juntei todo o dinheiro necessário, mas ao final, o medo me impediu de ir. Eu tinha apenas 23 anos.

Aos 25 anos, iniciei minha carreira de professora universitária na área de Turismo e Hotelaria. E dois anos depois, quando estava estável em uma universidade, decidi ir a Salvador e Morro de São Paulo nas férias de julho, sozinha. Um projeto ousado na época. Mas não teria como dar errado, afinal eu conhecia bastante sobre o mercado turístico e já tinha pisado em Salvador numa excursão da faculdade. Nessa viagem, experimentei a liberdade de tomar minhas próprias decisões, de ir a lugares que nunca iria se estivesse acompanhada, de conhecer novas pessoas. Repeti o mesmo modelo nos anos seguintes, fui conhecer sozinha o Rio de Janeiro, Paraty, Ilha Grande, Angra dos Reis.

Paris 2010 Fernanda Liguori
Curtindo Paris em 2010// Foto: Fernanda Liguori

Mas minha menina dos olhos mesmo era a Itália. Pela descendência. Três anos antes começou meu projeto. Matriculei-me num curso de italiano.  Mas meu dinheiro não dava para realizar esse sonho. Apenas três anos depois com uma folguinha de grana que ganhei achei uma passagem barata em julho, somando doze dias de permanência. Paguei à vista. Não sabia onde enfiar tanta alegria. Enfim realizaria um dos meus tantos projetos!  No meu sonho estava conhecer o complexo da Roma Antiga (Foro Romano), assistir ao Festival de Ópera de Verona (sempre gostei de canto lírico), andar pelos canais de Veneza, ver uma ópera no Teatro Scalla de Milão e conhecer as obras clássicas do renascimento italiano como a Pietá, Capela Sistina, Davi (obras de Michelangelo). E fechei então meu roteiro entre Roma, Florença, Veneza, Verona e Milão. E o desafio foi como me deslocar de trem entre as cidades, como fazer uma reserva, que tipo de roupa levar, tipo de mala usar, etc.  Realmente foi uma grande empreitada. Minha primeira viagem sozinha para o exterior e tudo deu muito certo.

Gostei tanto do projeto que repeti a dose em 2010 (Inglaterra, França, Espanha, Bélgica, Portugal) e em 2014 (França, Turquia, Grécia e sul da Itália). Dessa vez fiz mochilões de um mês durante minhas férias. E a alma de velejadora permanece, pois sempre procuro passeio de barco no destino visitado.

Já viajei muito pelo Brasil e alguns países da América do Sul e Estados Unidos. Mas tenho mesmo predileção por Europa. Tanto que aproveitei a oportunidade de fazer meu doutorado na Espanha e nas horas livres, aproveito para viajar para lugares próximos.

Roma 2010 Fernanda Liguori
Desvendando Roma em 2010 // Foto: Fernanda Liguori

E por quê viajar sozinha ? Uma das coisas que nunca gostei em viagem em grupo é ter de esperar os outros ou ter que entrar em consenso sobre o que visitar. Difícil achar gente com meus gostos específicos: ópera, jazz, passeio de barco, que goste de história e arte, que tenha dinheiro para viajar junto tanto tempo. Sorte de quem achou esses companheiros, raramente os tive. Realmente, essa minha natureza independente me trouxe muitas experiências significativas, dentre elas:

  • Aprendi a organizar roteiros segundo meus interesses, escolhendo aquilo que me apetecia ver. Raramente uso pacote turístico por gostar da liberdade de tomar as decisões e do acaso. Amo mapas, pesquisar sobre os lugares, ler ou assistir relatos de viajantes. Amo mais ainda visitar aqueles lugares das aulas de história que tive na escola e universidade.

 

  • Uma viagem sempre representa para mim uma  jornada de autoconhecimento e autoreflexões . Onde supero meus próprios medos e problemas. Onde posso ter um tempo para crescimento pessoal e balanço de vida. Já que o cotidiano costuma ser corrido. 

 

  • No cotidiano, minha vida depende da palavra de diversas pessoas: familiares, amigos, colegas de trabalho. A viagem é um tempo meu, onde tenho autonomia para tomar as próprias decisões e independência nas ações. Há o risco de errar. Eu já errei feio. Mas os erros servem para crescermos e amadurecermos.

 

  • Serve para aguçar meu paladar de conhecimento, conhecer novas culturas, aperfeiçoar idiomas, fazer novos amigos, experimentar o desconhecido.

 

  • E por fim, tem uma coisa que gosto muito que é me tornar cosmopolita, cidadã do mundo, ter experiência sobre aquilo que tinha visão parcial, ampliar meus próprios horizontes, expandir a mente, empoderar-me, tornar-me resiliente, sair da zona de conforto, desafiar-me, crescer. 

Hoje, ao longo de tantos anos, no alto dos meus 40 anos, o que eu falaria para a Fernanda de 20 anos atrás é: “Vá, não tenha medo! Simplesmente viva!”. Esse é o conselho que dou para você que está lendo estas linhas agora. O mundo é seu, amiga. Aproveite a vida!  Você é quem conduz o leme da sua vida! No Brasil, a mulher é emancipada e livre para fazer e ser o que quiser. Use sua liberdade! Corra o mundo!  Se não der agora, planeje e realize no futuro. Boa viagem!

Rio de Janeiro 2008 Fernanda Liguori
Dando um pulo no Rio de Janeiro em 2008 // Foto: Fernanda Liguori

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Um comentário em “O leme da vida

  • agosto 1, 2018 em 5:51 pm
    Permalink

    Vi o título e logo corri ler 😀 quanta história boa Fernanda!! e eu me vendo nela em boas partes. Sou formada na área de turismo também, e a quase um ano entrei no mundo da vela e dele não quero sair nunca mais. Que bons ventos te levem a realizar sempre seus sonhos!! um abraço

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