Projeto

Desde que li a notícia das turistas argentinas mortas no Equador e as hipóteses construídas pela imprensa, me senti atingida de certa forma, por mais que a realidade não fosse a minha. A minha empatia não se dá por eu enxergar no caso uma possibilidade daquilo acontecer comigo ou não, mas pelo fato de que aquilo acontece com milhares de mulheres cotidianamente.

O mais doloroso é que por mais que ocorra cotidianamente, todos esses acontecimentos parecem invisíveis e constantemente, escuto a fala de que a culpa é das mulheres. Em uma série de questões, a culpa da violência de que fomos vítimas recai sobre nós com a argumentação de que buscamos determinado problema, que tivemos comportamentos inadequados, que nos vitimizamos.

Dia desse, fiquei martelando certas questões sobre viajar e ser mulher, como as relações se estabeleciam quando viajamos sem um homem, seja sozinha ou com amigas. As reflexões começaram a surgir com mais força a partir da repercussão do assassinato das duas turistas argentinas no Equador.

A partir disso, tive a ideia de reunir relatos de mulheres amigas que viajam o mundo e o Brasil sozinhas, e como elas se relacionam com o viajar só e como se sentem em meio ao burburinho de outras culturas e possibilidades de assédio.