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Mochilão pela Itália, sou Filha do Mundo

Esse post conta a experiência da Laura Bender em seu mochilão pela Itália, Alemanha e Holanda, trabalhando em diferentes funções, como em fazendas orgânicas, pastora de ovelhas, au-pair, entre outros. Saiba mais sobre essa experiência de uma mulher viajando sozinha!

Por Laura Bender

Olá!!!

Tudo bem com você?

Bom, primeiro queria parabenizar todas pela beleza de desbravar o mundo e compartilhar os momentos com nós, mulheres!

Quando fui convidada para escrever para o blog estava numa fase da viagem um pouco diferente da atual. Na época, estava desesperada pois queria continuar viajando e meu dinheiro estava por um fio. Hoje comemoro meus oito meses de viagem e, com um bom “aperitivo italiano”, comemoro meu “bico” encontrado para continuar minha jornada.

Pois bem.

Como comecei a viajar no meu mochilão

Comecei minha viagem em dezembro de 2017. Não estava de mala pronta, mas “só” com a atitude de decidir viajar. E acredito que a viagem começa aí, quando decidimos e começamos a planejar. E na verdade, nunca acaba. As marcas ficam para sempre, e somos eternas viajantes.

Saí de mala e cuia em março, verãozão no Brasil e inverno na Itália. Morava em São Paulo e vivia uma vida que não era minha. Trabalho estressante, relações tóxicas, cidade maluca.

Talvez possa parecer fácil para quem vê de fora, mas cada decisão, cada sentimento, cada lembrança, cada perda, cada suspiro, cada choro e sorriso carregam uma cura que nem eu tenho dimensão (ainda) nessa viagem.

 

Descobrindo o que é a WWOOF

Decidi que, para conciliar meu sonho de viajar com as possibilidades financeiras, faria uma viagem trabalhando voluntariamente em troca de alimentação e moradia em fazendas orgânicas e sustentáveis nos interiores italianos.

A organização internacional de nome WWOOF (World Wide Opportunities on Organic Farms) existe há aproximadamente 40 anos e para poder ter acesso às fazendas, paga-se uma taxa simbólica anual para cada país de destino. O tempo de permanência, tipo de atividade, local, etc. tudo é acordado com o proprietário da fazenda. Tem casal, família e pessoas sozinhas que fazem isso pelo mundo todo, inclusive no Brasil!

 

O meu retorno de Saturno e o Mochilão

Há dez anos atrás morei durante um ano na cidade de Munique (Alemanha) trabalhando como au-pair. Dez anos depois, com 28 anos (haja “Retorno de Saturno”!) realizo meu sonho de menina, que é estar mais perto da natureza e trabalhar em fazendas. Aos poucos, fui lapidando para onde queria ir.

Bom, meu outro sonho era resgatar minha outra origem: a italiana. Foi assim que decidi quais terras, literalmente, passaria minhas mãos e meu suor e onde iria costurar meu sonho de criança com a mulher que sou hoje. 

 

O cotidiano local em um mochilão

Com esse percurso de estar nas fazendas, experimentei comidas e hábitos locais que não são de turista. Ouvi (e como!) os problemas das famílias, vi o dia a dia às vezes monótono e outros caóticos dos italianos. Tenho que dizer que foi (e ainda é) um grande desafio viver o presente. Pois sempre estava planejando minha rota de viagem para o próximo mês, para a próxima fazenda. Essa foi a minha rotina durante seis meses.

Tenho que dizer que tive e tenho muita sorte de encontrar pessoas incríveis: quantos já pagaram sorvete, almoço, cafés. Para quem viaja, sabe que qualquer coisinha que se economiza parece uma loteria! Mas essas ajudas e tantas outras não foram só em relação à dinheiro, e sim muito mais a um apoio emocional. Um simples sorriso ou um gesto de generosidade alimentam a alma. Guardo com carinho as surpresas e encontros com outros seres humanos que me ajudaram.

 

Trabalhando e Viajando no meu Mochilão

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Aprendendo a mexer com a massa italiana // Foto: Laura Bender

Bom, passei por oito lugares (quatro como “WWOOFer” em fazendas, uma ecovila, um centro ecológico e dois lugares em casa de familiares – na Holanda e na Alemanha). Fiquei, em média, de três semanas a um mês em cada lugar: tantas vezes fiz geleia, pão, iogurte… Cortei lenha, fiz meu fogo (na pequena salamandra que tinha no meu quarto – se não, morria de frio no inverno Europeu), escutei a terra e plantei na horta, limpei fazendas empoeiradas, pintei parede, participei de feiras ecológicas e sustentáveis, trabalhei com agroturismo e arrumei muito quarto para receber hóspedes. Ajudei numa restauração de uma casa ecológica feita de biomassa. Lavei quase 800 queijos de cabra (e comia quase como uma!). Fui ajudante de chefe de cozinha e fui pastora de ovelhas, aliás, as considero ótimas amigas!

E agora, sou au-pair de duas meninas fofíssimas! Uma boa forma de poder aprender melhor a língua, economizar, ganhar algum dinheirinho e conhecer melhor uma nova cidade. Digamos que encontrei um pouso provisório numa das partes mais malucas e belas da Itália: Sicília.

Pela Itália, passei pela Emiglia Romagna, Úmbria, Roma, Puglia e Sicilia e, em outras partes da Europa, tive a oportunidade de revisitar Munique e a Bélgica e conhecer a magnífica Amsterdam!     

As dores e as delícias de ser uma mulher viajante

Não importa muito o que se faz, mas como é e qual é a intenção. Muitas atividades não queria fazer e me questionava se era isso mesmo o que meu coração dizia, mas tantas outras tentava produzir paz nas minhas relações e me conhecer mais em diversas situações. A mente não pára de “trabalhar”; antes de viajar achava que ia ficar “relax”, zen. Mas isso não depende da atividade externa e muito mais de como olhamos a vida. O resto é consequência.

Tem um lado mais amargo disso tudo, pois me pego em vários momentos tensa, não sabendo quando realmente posso relaxar de verdade. Essa sensação era constante no início da viagem, mas hoje percebo que o maior apoio que tenho é em mim mesma; por mais que essa frase seja clichê, é uma verdade e uma nova descoberta em mim. Viajo sozinha e sei bem os riscos que se pode ter como mulher, infelizmente. Não me coloco em perigo e meu estado de alerta está sempre ligado. Isso cansa, mas o instinto de sobrevivência é algo mais forte que se imagina!

Viajar sozinha – quando um tabu virou uma necessidade

Não posso deixar de citar um livro que me ajudou muito nessa viagem: “Comer, rezar, amar”, de Liz Gilbert. Para mim, um livro de uma mulher que enfrenta seus medos com parceria e sinceridade consigo mesma. Me acompanhou até o terceiro mês de viagem e me fortaleceu, me fez chorar (de alegria e tristeza), me encorajou e me acompanha, até hoje, na viagem. A Liz viaja comigo.

3 indicações de livros para levar em uma viagem

A bagagem no mochilão

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Viajando de trem de mala e cuia // Foto: Laura Bender

Apesar de meses fazendo e desfazendo mala desde o começo da viagem, confesso que ainda não aprendi muito o que levar e deixar para trás. Quer dizer, eu me surpreendo com a capacidade de desapego que adquiri nesses últimos meses, já que toda a minha roupa de frio deixei por aí e as roupas de verão são sempre as mesmas, rasgadas e velhas.

Mas acho que essa percepção da “bagagem pesada” é muito do que carregamos sem necessidade; e de tantas outras que são necessárias e que pulam dentro da mala sem a gente nem perceber. Aprendi (e como!) a controlar meu dinheiro, a não cair na loucura de comprar  tudo só porque é bonito, a avaliar o que eu quero ou não fazer de verdade.

 

Aprendizado pelo caminho

Monto uma barraca como quem escova os dentes, aprendi uma língua nova, escrevi em seis diários lotados de palavras, memórias e flores secas. Agora peço doação de roupas de frio, pois vou passar o inverno aqui. Enfim, são as adaptações malucas e divertidas que a gente faz!

E sinto que deixo cada parte de mim num lugar: uns conhecidos e outros tantos desconhecidos, me descasco de feridas e dores passadas como uma cebola.

Sobre viajar sozinha e não estar só

Ditadura do corpo

Bom, ganhei uns bons quilos a mais, aliás, estou na Itália! Mas (tento) ir contra essa ditadura do corpo magérrimo e infantilmente sexualizado. Meu corpo mudou, minha pele está mais viçosa e é isso que importa.

Beleza na estrada

 

Seguir minha intuição

Aprendo quase diariamente a dizer “nãos”, por mais simples que seja, e a perceber quando nos iludimos com algumas situações e pessoas, a treinar a intuição selvagem e a arriscar tantas outras estradas desconhecidas.

Minha intuição guia se vou para direita, para esquerda, pra cima, pra baixo, se rodopio, se volto. Ou simplesmente paro. Intuição essa que me guiou em sobre meu passado: relações que tive que atravessar o Atlântico para entender, superar e curar. Só de longe às vezes é possível compreender. E que me guia hoje, no presente, como uma voz singela e sábia que sussurra pra mim o que devo fazer.

Como todo nômade, a intimidade é algo relativo: já dormi num salão de eventos, já tive meu quarto (mas todo ocupado por objetos dos moradores), já dormi na sala, no jardim, em barraca, em quarto compartilhado. Não é reclamando, porque viagens assim tem esse ar de aventura, de aceitar certas coisas e, com certeza, é desapego total ao luxo! Mas claro, não é por isso que deve-se aceitar tudo o que é oferecido e é necessário filtrar e dizer muitos “nãos”: não aceito, não quero, vou embora, me retiro, com licença, obrigada.

 

Conhecer o meu mundo

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Congelando o inverno europeu// Foto: Laura Bender

Em 2017 fiz uma viagem que mudou minha vida: Fui ao deserto do Atacama e Uyuni (Chile e Bolívia, respectivamente), e a partir daí comecei a aprofundar na minha terra, no meu mundo, cada vez mais. No mesmo mês dessa viagem, concluí um curso técnico em dança no qual o tema era o Sagrado Feminino e dancei com 50kg de terra: mergulhava, me rolava, quase comia a terra. Na Itália, eu semeei, reguei, comi, chorei, sorri, cansei e me deitei nessa bela “Gaia”.

A força que sinto não é de aguentar, mas de me reinventar, de descobrir as formas mais primárias de como viver, de como amar, de como me relacionar. Sempre enfrentando os desafios diários. Tantas vezes já duvidei da minha própria existência, força e capacidade de passar por uma situação e, no fim, de alguma forma, a gente encontra uma saída. Sempre tem pelo menos uma!

O Sagrado Feminino

Há três anos dei início a um processo de estudo e aprofundamento espiritual Xamânico relacionado ao Profundo Feminino e, desde menina, sempre gostei do assunto. Seja nas danças que fiz (Dança do Ventre, Tribal Fusion e na Dança Contemporânea) ou nos rituais religiosos, de certa forma sempre me encantei com a origem das coisas, essa sacralidade da vida, da morte e da mulher.

Por tudo isso e mais um pouco, honro a ancestralidade dos meus tataravós italianos: aquela família que tocou na terra que eu toco, que respira esse ar das montanhas que entram nos meus pulmões, do “grano” amassado e nutritivo que eu me alimento e de tantas histórias que são da memória inconsciente. Sou apaixonada pela língua italiana. Bom, quem não é? É linda e ainda bem que os italianos “falam com as mãos”, isso ajuda! Mas a facilidade de aprender italiano vem não só da similaridade com o português, mas do meu sangue, da minha “bisnonna” napolitana, do meu “bisnonno” do Vêneto.

 

Filha do Mundo

Enfim, me sinto uma filha do mundo. Uma neta da terra, irmã da natureza. É meu remédio, minha dose quase que diária de um presente que eu dei a mim mesma: viajar. Me desafiar com carinho, me mimar e experimentar meus limites, desejos, paixões.

Sei que é um privilégio o que vivo; talvez não é todo mundo que tem a oportunidade de fazer o que estou fazendo e tenho consciência disso. Sou solteira, não tenho filhos, tenho para onde voltar no Brasil, tenho familiares na Europa. Por outro lado, e pelo padrão capitalista, não tenho dinheiro, não tenho uma casa (só uma barraca cheia de terra), não pretendo me casar e não sei o que farei nos meus próximos 6 meses de vida.

Faço mochilão, mas não sou rica

Também não sou rica, mas tenho uma família que me apoia muito a viajar e desbravar e procurar meu lugar no mundo e em mim mesma onde tiver que ser. Eu trabalhei pesado como terapeuta durante três anos, ganhando pouco mas economizando para, um dia, sem querer, decidir viajar. Todo meu dinheiro guardado foi para isso. Não comprei um carro usado e nem dei entrada num apartamento. Peguei minhas coisas e fui!

Brinco que minha vida é um livro aberto. Isso é libertador, tudo pode acontecer. Mas, tudo pode acontecer! O outro lado também assusta, confesso.

Viajando Sozinha de Mochilão

Levanto essa linda bandeira de mulheres que viajam sozinhas, que pegam suas mochilas nem que for uma viagem de um final de semana para a cidade mais próxima. A distância não é o mais importante.

O mais bonito é como a gente se presenteia e se permite viver o que a mulher tem de mais sagrado: seus momentos de refúgio, suas cavernas escuras e cheias de vida pulsando dentro de si. Cultivar esse hábito é viver. É essencial. 

Por outro lado, não vejo homens viajando sozinhos (acho que vi só um, até hoje!). Vejo muito mais mulheres! Eu me espanto com a incredulidade das pessoas quando digo que viajo “da sola”. Muitos fazem cara de dó, tantos outros acham que sou forte, outros ainda se surpreendem. Mas todos, sem exceção, se espantam. E, talvez, se encantem.

 

O assédio dos homens durante o Mochilão

Fico irritada com alguns homens, que não entendem a diferença entre uma mulher que procura algo além de uma conversa da mulher que está apenas pedindo uma informação. Eles sempre vão te oferecer um jantar, perguntar se você está sozinha e se você não quer sair com eles. Recebi tantos pedidos de casamento, mas sempre de velhos! Na hora quero morrer, mas depois dou risada. Sozinha.

Tive lá minhas paixonites, minhas quedas pelos italianos. Mas não encontrei um que faça valer a pena, ainda.

 

Mulheres Inspiradoras

Encontro mulheres que me inspiram: as fazendeiras, as vendedoras de lojas, as habitantes italianas de cada cidadela que conheço, as cozinheiras, as donas de negócios, as velinhas nas sacadas, as meninas que brincam nas ruas… As bruxas que encontro por aí no caminho e que não morreram na fogueira, estão aí soltinhas pelo mundo!

E, à distância, mulheres que me ajudam como anjos: uma amiga que mora longe e ouve meus áudios gigantes pelo WhatsApp; minha irmã mais velha, sempre um exemplo e guia para mim; minha mãe, eterna fonte de amor; minha “nonna”, minha ancestralidade mais profunda; minha terapeuta, mulher sábia de um bom senso e força únicos e tantas outras que estão no peito. Enfim, pessoas que me ajudam a lembrar de quem eu sou, das minhas profundas existências e sonhos.

Não viajo sozinha completamente, pois essas companhias sempre estão ao meu redor. Seja com os áudios de WhatsApp, tantas conversas com a família, mas tantos e tantos momentos completamente só.

 

Mulheres viajando sozinhas

Percebo que há 15/20 anos atrás era moda mulheres divorciadas (ou com qualquer outro rompimento de relação) viajarem sozinhas, tipo o “caminho de Santiago”, Índia ou qualquer viagem espiritual. Hoje em dia, sou de uma geração que mulheres viajam sozinhas mais cedo, seja por intercâmbio de faculdade, seja por mudança de vida ou qualquer outro motivo. Atualmente, mulheres perto dos 30 (ou até antes) fazem as malas e partem pra algum lugar do planeta.

Pequenas grandes coisas mudaram: sou vegetariana e sinto que assim tenho ainda mais respeito, conexão e amor aos animais, aos ciclos da natureza, às águas, às montanhas, vulcões, trovões e ao irmão fogo.

 

Lidando com rompimentos no Mochilão

E claro, viajar sozinha exige bons livros e o exercício da boa companhia de si mesma! Uma vez li uma biografia de uma mulher que fez uma viagem de bicicleta sozinha pela Espanha e, em um momento da viagem, ela recebe um telefonema de um rompimento amoroso. Outras tantas histórias que a viajante recebe a notícia da perda de alguém.

Passei por esses mesmos processos. Não morri. Foi dolorido, muito. Só eu sei. Mas ainda bem que uma parte minha também se foi com essas despedidas, também morreu. Mas foi para renascer e perceber outras belezas da vida (e da morte).

 

Vida que muda (ainda bem!)

A mulher que me torno hoje provavelmente não será a mulher que serei por toda a vida. Nada é pra sempre e tudo muda, ainda bem! Nessa idade perto dos 30 há muitas mudanças e algumas são realmente permanentes. As situações mudam e nós nos moldamos como rios às margens das terras que correm morro abaixo dentro de nós e sobre nós.

Enfim, tenho muitas histórias para contar, mas termino com uma passagem linda do livro “Mulheres que correm com os lobos”, que diz exatamente essa busca e importância de encontrar nosso “bando”: “Quem não sabe uivar não encontrará sua matilha. Se você quiser reconvocar a Mulher Selvagem, recuse-se a ficar no cativeiro. Com os instintos aguçados para ter equilíbrio, salte para onde bem entender, uive à vontade, apanhe o que estiver à mão, descubra tudo o que puder, deixe que seus olhos revelem seus sentimentos, examine tudo, veja o que puder ver”. (Mulheres que correm com os lobos, pág. 292 – Clarissa Pinkola Estés).

 

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Aquele match da fazenda// Foto: Laura Bender

 

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