Uma volta ao mundo de bicicleta

por Karla Cerri

Quando o André entrou pela porta e disse, “tem uma coisa que eu gostaria que fizéssemos antes que
tenhamos um filho. Vamos dar uma volta ao mundo em bicicletas?”, eu não pensei duas vezes e a
resposta foi um bom e sonoro “Sim!”.
Depois desse dia o foco era um só, dar uma volta ao mundo em uma bicicleta. O foco era, mas acreditar
mesmo, eu não acreditava. Na minha cabeça era um pedalzinho pela Europa, já que por ali
começaríamos, e logo estaríamos de volta para nossa rotina.

volta do mundo de bicicleta karla cherri
Karla Cherri bicicletando // Foto: André Cherri

E foi quando na primeira subida sem graça na Bélgica que dei meu primeiro grito de desespero quando
percebi que realmente tudo aquilo estaria por acontecer e que não voltaria atrás.
Estar por aí, sentindo tudo era exatemente o que não imaginei. Sabia que conheceria pessoas mas não
imaginei o quanto o ser humano é bom e adora o outro não importando sua origem e muito menos sua
crença.

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Vendo o sol nascer// Foto: André Cherri

Imaginei ver paisagens incríveis mas nunca tinha sonhado com o nascer do sol no Camboja e o pôr do
sol no Laos. Sabia que enfrentaria chuva, vento, frio e sol de rachar a cabeça, mas nada se compara
com um calor escaldante de uma estrada em construção na Turquia e o frio cortante da Itália.
Mas ainda assim estava disposta a tudo o que poderia acontecer mais e mais. De um assédio no
Curdistão a um furacão no México, que me rendeu uma tatuagem de um comandante que não faz ideia
o quanto o admiro.

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Experimentando insetos// Foto: André Cherri

Todas essas dficulades se misturavam com abraços e sorrisos sinceros. Gente como a gente, com
atitudes ingênuas e verdadeiras. Que preparou o que tinha de melhor e compartilhou de seu jantar e de
seu chá. Que dividiu seu tempo e espaço com pessoas que chegaram necessitadas de carinho e um colo
para acolher.
A cada palavra de incentivo, a cada quilômetro pedalado e a cada subida de tirar o fôlego, era uma
lembrança de casa. Casa essa que já não mais aquela de São Paulo na rua Artur Prado. A casa era a
casa de todos que de alguma forma estavam envolvidos com tudo aquilo.

Minha mãe preocupada mas sem a menor noção de como era a viagem. Sim, ela imaginava que pegava
a bike, colocava num ônibus e dava um rolezinho pela cidade quando chegava. Eu achei melhor deixar
assim. Ela está bem hoje.
Sobrinhos estavam crescendo e outros nascendo. A “vida” passando, amigos casando, empregos
mudando, gente envelhecendo.
Afinal, o que eu estava pensando da vida quando deixei tudo pra trás e caí na estrada?
Meu pai outro dia disse “não demore, o relógio não pára”.

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Um encontro com mulheres muçulmanas// Foto: André Cherri

Para conhecer mais sobre essa viagem, acompanhe BikesAndSpices.


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