3 indicações de livros para levar em uma viagem

Para te acompanhar em viagem ou para te permitir apenas pensar outras culturas sem sair de sua cidade, um livro sempre cai bem. Leio muito cotidianamente desde pequena e com a faculdade fiquei um pouco saudosa de literatura, pois estava me dedicando tão somente às leituras acadêmicas. Passado esse turbilhão e tendo reencontrado a literatura, percebi que lia, na maioria das vezes, apenas homens. Aproveitei para expandir os gêneros literários e os gêneros dos autores. Bora expandir também? Então, vem comigo que vou te indicar 3 livros para levar em uma viagem.

 

  1. Sejamos todos feministas por Chimamanda Ngozi Adichie

A nigeriana Chimamanda tornou-se a queridinha das feministas da nova geração. Muito se deve ao seu TEDx “Sejamos todos feministas” e ao seu livro Americanah, um romance que traz importantes críticas à vida acadêmica norte-americana e os conflitos de gênero. Sua apresentação no TED se tornou este pequeno livro vermelho que traz reflexões importantes para pensarmos o movimento feminista, tendo em vista o seu cerne.

“Perdemos muito tempo ensinando as meninas a se preocupar com o que os meninos pensam delas. Mas o oposto não acontece. Não ensinamos os meninos a se preocupar em ser “benquistos”. Se perdemos muito tempo dizendo às meninas que elas não podem sentir raiva ou ser agressivas ou duras, elogiamos ou perdoamos os homens pelas mesmas razões. Em todos os lugares do mundo, existem milhares de artigos e livros ensinando o que as mulheres devem fazer, como devem ou não devem ser para atrair e agradar aos homens. Livros sobre como os homens devem agradar às mulheres são poucos.”

 

  1. As boas mulheres da China pro Xinran

 A jornalista chinesa Xinran conta, neste livro, histórias que presenciou com o seu programa de rádio Palavras na Brisa Noturna, em Nanquim, durante 1989 e 1997, período em que houve uma espécie de abertura do regime, pós Revolução Cultural Chinesa.

É um livro incrível para pensarmos fora da nossa chave de pensamento ocidental, pois nos depararmos com outras realidades em que a desigualdade de gênero é gritante e dolorosa. Alguns temas tratados livros são estupros, desilusões amorosas, a força da Revolução Cultural, decepções com o regime e a pobreza.

”Você viu o que se faz para que aqueles bolos bonitos e macios se tornem o que são. Se só os tivesse visto na loja, jamais teria sabido. Mas, ainda que você tivesse sucesso em relatar como a panificadora é mal administrada e como viola as normas de saúde, acha que isso faria as pessoas pararem de comer pão-de-ló? É o mesmo com as mulheres. Mesmo que conseguisse acesso às recordações e aos lares delas, você seria capaz de julgar ou mudar as leis pelas quais elas vivem a vida? Além disso, quantas estariam dispostas a abrir mão do amor-próprio e falar com você? Acho que o seu colega é realmente sábio.”

 

  1. Hibisco Roxo por Chimamanda Ngozi Adichie

    Como “As boas mulheres da China”, Hibisco Roxo foi um dos livros mais dolorosos que li nos últimos tempos. Sabe aquele livro que nos tira o ar? Dói, mas te faz sair da sua zona de conforto e vislumbrar novas realidades.

Este romance gira em torno de uma família que é marcadamente religiosa, tendo o pai como grande figura de admiração pela comunidade. A crise ocorre, pois há uma imagem de família perfeita: rica, católica, intelectualizada, solidária aos mais pobres. No entanto, a imagem se perde diante da violência doméstica contra os filhos e esposa, marcada por um discurso religioso. Em paralelo, acompanhamos a definição de um Nigéria, a Nigéria de Chimamanda. Sobre este livro, a autora fez o seguinte apontamento:

 “Em 2003, escrevi um romance chamado Hibisco roxo, sobre um homem que, entre outras coisas, batia na mulher, e sua história não acaba lá muito bem. Enquanto eu divulgava o livro na Nigéria, um jornalista, um homem bem-intencionado, veio me dar um conselho (talvez vocês saibam que nigerianos estão sempre prontos a dar conselhos que ninguém pediu). Ele comentou que diziam que meu livro era feminista. Seu conselho – disse, balançando a cabeça com um ar consternado – era que eu nunca, nunca me intitulasse feminista, já que as feministas são mulheres infelizes que não conseguem arranjar marido. Então decidi me definir como “feminista feliz”.”

 

Publicado originalmente em M pelo Mundo.


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