Diana Boccara

MINAS QUE FAZEM// Diana Boccara & Couple of Things

Conheci o trabalho da Diana Boccara pelo instagram, através do perfil do seu projeto incrível Around the world in 80 music videos e quase caiu o meu queixo quando eu a conheci. Conversar com a Diana é curtir uma boa vibe, entre risadas e muita inspiração!

Diana, você poderia nos contar um pouco mais sobre você e a sua formação?

Sou Diana Boccara, tenho 32 anos (apesar de sempre achar que eu tenho 24. Não sei exatamente o porquê.. rs) e me formei em Rádio e TV em São Paulo. Eu escolhi esse curso porque – na minha ignorância de adolescente que amava filmes e séries de TV – achei que eu queria ser diretora. Era esse meu objetivo quando entrei na faculdade. Mas foi logo no primeiro semestre que eu entendi que a minha paixão pelo audiovisual não era nada relacionada à direção e sim ao roteiro, a criar as histórias, a inventar mundos e personagens. Fui me aprofundando nesse universo até me formar. Aí, realizei um sonho: estudar ‘filmmaking’ nos Estados Unidos. E passei um ano em Los Angeles escrevendo e rodando curtas. De lá, voltei ao Brasil com experiência zero em TV ou cinema. Só sabia o que tinha aprendido nos cursos e na prática, mas minha paixão nunca tinha sido meu ganha pão. E quando voltei a São Paulo, dei a cara a tapa e fui trabalhando em inúmeras produtoras, cada hora fazendo uma coisa. Fui editora, operadora de câmera, produtora, assistente de direção, assistente de roteiro e de criação. Cada hora estava exercendo uma função num job diferente. Isso era visto por muitos como um problema, já que meu currículo não tinha um foco ou especialização. Por muitos anos, isso me deixou muito triste, a ponto de eu ter vários currículos, cada um com um foco. Dependendo da vaga, escolhia um ou outro pra enviar. E assim fui, por anos, até que tudo mudou e eu realizei um grande projeto pelo mundo, onde o importante era eu saber exercer todas as funções e não ser especialista em uma só.

O que é viajar para você?

Viajar é a melhor coisa do mundo, na minha opinião. É viajando que a gente aprende a viver e conviver. Calma! Vou explicar!

Quando a gente está no nosso dia a dia, na rotina, no modo automático, acabamos não prestando atenção nos lugares ao nosso redor, não valorizamos nossa cultura, não estamos tão abertos a aprender nem a ensinar. Os nossos dias se resumem a trabalhar e sonhar com a próxima viagem, né? Só que estamos o tempo todo viajando, mesmo dentro da nossa rotina.

A gente viaja de casa pro trabalho, do trabalho pro parque, do parque pra um restaurante… São viagens, porém pequenas. E, como já estão incorporadas ao nosso lifestyle, acabam sendo banais pra gente. Nem damos valor pra elas e pro que vemos e aprendemos pelo caminho.

Por isso, pra mim viajar é vida. Pode parecer bobo, mas é verdade. Viajar é viver. E isso significa que uma simples viagem pra um novo bairro na cidade que eu moro, já é – pra mim –  um aprendizado.

E quando saio do meu universo comum e mudo de cidade, de país ou de continente, as experiências e aprendizados só aumentam.

Dianna Boccara viajar
Dianna Boccara na despedida do seu QG em São Paulo antes do projeto Around the world in 80 music videos

O seu projeto Around the World in 80 Music Videos, ao lado do Leo Longo, ganhou o mundo. Você pode nos contar mais sobre como foi esta experiência?

O Around the World in 80 Music Videos foi a primeira série global de videoclipes realizada por uma equipe de TV e essa equipe era formada por duas pessoas. Eu e o Leo, meu marido. Foi esse projeto que me fez entender que eu poderia fazer tudo o que eu amo de uma só vez. Criar, gravar, editar, contar histórias, viajar e estar sempre em contato com novas pessoas e novas culturas. Mas deixa eu explicar o que foi o ATW 80 e o porquê ele foi tão importante pra mim.

Em 2014, Leo e eu fizemos uma road trip pelo Sul dos Estados Unidos, visitando inúmeras cidades relevantes pra música ocidental, como Nashville, Memphis, New Orleans, entre outras. Essa viagem mostrou pra gente o quão importante é estar aberto pro desconhecido, pro novo. Fomos inspirados pela vida na estrada, pela música e pelas pessoas que fomos conhecendo no caminho. Voltamos pro Brasil com a vontade de juntar tudo isso à nossa profissão e poder realizar algo que englobasse música, filmmaking e viagem. Depois de um ano quebrando a cabeça, iniciamos o maior projeto das nossas vidas, que foi essa volta ao mundo gravando videoclipes com bandas de 22 países, por 18 meses das nossas vidas.

Foram 80 semanas ininterruptas trabalhando quase sem descansar, gravando um clipe por semana e os postando toda segunda-feira, entre 2015 e 2016.

Esse projeto nos trouxe – além de muitos amigos – um aprendizado único. A cada três semanas, a gente mudava de vida: ia pra um novo país, tinha uma nova casa, estabelecia novas conexões e vivia uma nova rotina. Isso nos trouxe uma vontade de estar cada vez mais conectados com os lugares que a gente ia, fazendo com que o nosso dia a dia fosse sempre novo – mesmo tendo os mesmos deveres e responsabilidades.

Aprendemos a viver com poucas coisas, a dar valor a experiências e não a coisas, aprendemos a exercer funções que jamais tínhamos pensado que iríamos exercer (como assessoria de imprensa, direção de fotografia, manejamento de redes sociais, etc.). E a cada novo desafio, absorvemos mais e mais lições.

Começamos a ver o mundo não mais como um lugar blocado por países e continentes, separados por oceanos ou por culturas distintas. Passamos a olhar pra tudo isso como uma coisa só. O mundo é feito de / e por pessoas. Elas, assim como eu e você, tem sonhos, medos, deveres, paixões… Somos diferentes, mas ao mesmo tempo, somos todos seres humanos. Mesmo distante, podemos nos conectar com os quatro cantos do mundo e mesmo desconhecendo países e pessoas, se identificar com eles hoje é muito mais simples.

Essas e outras muitas coisas, fomos adquirindo ao longo da nossa volta ao mundo. E voltamos com uma riqueza impossível de ser medida financeiramente. E por isso, digo: viajar é viver.

Diana Boccara Couple of Things
Diana & Leo no novo clipe da banda indiana Yesterdrive feito em quatro pessoas: dois na equipe, dois atuando.

Você acredita que o fato de ser mulher influencia de algum modo a experiência como viajante?

Eu nunca tinha tido grandes problemas em lugar nenhum por ser mulher. Mas durante essa volta ao mundo, trabalhando e realizando o ATW80, passei por alguns países onde vivi preconceito, desrespeito e desvalorização. Simplesmente por ser mulher. Não passei perrengue nem fui agredida física ou verbalmente, mas em países como Índia e Egito fui tratada por muitos como um ser inferior e sem voz ativa. Isso foi muito chocante pra mim.

Pra mim, ser uma profissional que não consegue trabalhar pelo simples fato de ser do sexo feminino é incoerente e absurdo. Porém, isso aconteceu comigo e acontece com milhares de mulheres pelo mundo todo. Não fui a primeira nem serei a última. Mas pude sentir que, cada dia mais – mesmo em países onde somos vistas como inferiores por toda uma sociedade – estamos crescendo e nos unindo. As coisas estão mudando e mudarão cada vez mais rápido.

Meu trabalho foi muito mais difícil e desafiador nesses países. Mas, aos poucos, fui entendendo como deveria fazer pra ser respeitada e poder trabalhar. Acho que a comunicação é a chave pra isso e pra boa parte dos problemas que temos no mundo.

Diana Boccara Around the World in 80 music videos
Fim da gravação & despedida da nossa família egípcia, Cairokee!

Há alguma experiência de viagem que se destaca e você a considera mais especial?

Eu tenho inúmeras histórias dessa nossa volta ao mundo, tipo muitas mesmo. Mas quase todas tem uma coisa em comum: pessoas. E acho que o que mais me marcou em 18 meses pelo mundo foi a quantidade de desconhecidos que, ao receber nosso contato, saiam por algumas horas da sua rotina pra nos ajudar. Pra colaborar com o nosso projeto, que foi 100% colaborativo. E nisso, senti na pele que não importa em qual lado do mundo se esteja, nem qual cultura, raça, sexo ou crenças se tem, existem pessoas maravilhosas querendo fazer o bem. Isso me fez acreditar que, mesmo num mundo tão corrupto e desigual como o nosso, existe esperança de construirmos uma vida melhor. E, por termos acesso à internet e podermos nos conectar com quem quisermos, o poder está nas nossas mãos.

Tirando isso, diria que uma experiência que eu considero realmente especial é ter passado 18 meses vivendo, viajando e trabalhando ao lado do meu marido ( que na época era namorado). Não é fácil manter um relacionamento. Manter um relacionamento viajando, pode ser mais desafiador. Passar 24 horas por dia trabalhando e vivendo com a mesma pessoa, nas situações mais absurdas do mundo, não é fácil. Mas pra mim, foi muito especial. Aprendi demais sobre mim mesma e sobre o amor. E acho que aprendemos tanto que, logo que voltamos, nos casamos. rs

Diana Boccara Couple of Things
Diana Boccara & Leo Longo

Atualmente, você e o Leo Longo comandam o Couple of Things. No que consiste o trabalho de vocês?

Depois de gravar 80 clipes pelo mundo num projeto colaborativo e independente como o nosso, Leo e eu mudamos muito. Voltamos com a vontade de seguir realizando projetos autorais e por isso, criamos o nosso duo coletivo, o Couple Of Things. Nem falamos que o CoT é uma produtora, pois na real, não é isso que somos. Somos uma dupla de realizadores com vontade de fazer arte e de contar histórias, independente da plataforma ou formato. E isso é o nosso Couple Of Things, pelo qual já realizamos palestras no SXSW, no TEDx e em outros eventos e instituições. Pelo CoT também realizamos uma websérie com a Rádio Novabrasil e, em Maio, estrearemos no canal BIS a série de TV do Around the World in 80 Music Videos.

Diana Boccara em Austin para o SXSW 2017
Diana Boccara em Austin para o SXSW 2017

2018 já começou e quais são os planos para dar continuidade ao projeto?

Esse ano começou de uma forma maravilhosa pra gente. Em Maio, estreia nossa série de TV A Volta Ao Mundo em 80 Videoclipes no canal BIS e, no fim de Março Leo e eu cairemos mais uma vez na estrada com um novo projeto. Vamos passar 3 meses viajando de carro pela América do Sul em busca de pessoas inspiradoras que – assim como a gente – tiveram uma mudança de vida e que estão repensando a forma de se viver, de se consumir, de se trabalhar. Esse será o Lifeness Generation, um projeto que deve visitar todos os continentes, em cada uma das suas temporadas.

E assim seguimos. Aprendendo a cada novo trabalho, a cada nova viagem e a cada nova pessoa que entra pras nossas vidas. 🙂


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