“Queria ter ficado mais”

“Queria ter ficado mais”, livro lançado pela editora lote 42, é um daqueles que te prendem não só pelo conteúdo, mas pela escolha estética também. Comprei o meu exemplar por indicação do Norton Wells, dono da loja Setzer, uma mistura de brechó-bar-cafeteria incrível na galeria São Luís que infelizmente, está fechando as portas neste final do ano. À época, ele me contou um pouco sobre o projeto e me apontou uma pessoa incrível entre as escritoras, que é a Lívia Aguiar do blog Eu sou à toa e que agora, eu conheço e é uma querida.

Antes de pensar os textos, quero destacar o trabalho da argentina Eva Uviedo, ilustradora, que produziu um trabalho lindíssimo em aquarelas para cada conto de viagem. Como viajante, gosta de se lançar em viagens de carro e já percorreu grande parte dos estados brasileiros e,  em cada novo trajeto, mantém um caderno de viagens, com desenhos, fotos, anotações e colagens. Como não se apaixonar?

Livro “Queria ter ficado mais” – Lote 42 // Foto: Divulgação

 

Diferentemente de um método mais tradicional, o livro é organizado em cartas que trazem contos de viagens de destinos distintos. São 12 cartas produzidas por escritoras diferentes: Barbara Heckler, Bruna Tiussu, Cecilia Araújo, Cecilia Arbolave, Clara Averbuck, Clara Vanali, Florencia Escudero, Isis Gabriel, Ligia Braslauskas, Livia Aguiar, Luciana Breda e Olivia Fraga. Elas falam de (des) encontros, (des) amores, familiares, descobertas, encantamentos.

Quando li, senti uma identificação grande, como se fossem cartas de uma amiga para mim. É uma relação louca que se estabelece. A escrita fluida e informal permite que você leia rapidamente. Isso me deixou um pouco órfã, sabe? Então, li aos poucos, como se fosse uma correspondência própria de alguém querido. Sorvi aos pouquinhos aquela história.

Fiquei aflita com Clara Averbuck em Londres:

“Eu queria apagar. E lá fui eu pro pub cheio, cheio, cheio. Com fila. Eu atrasada, excuuuse me, ingleses e brasileiros e os editores e a editora linda que veio de Nova York com suas tatuagens nova-iorquinas saindo pelo decote e o representante da British Library apertando minha mão e dizendo que era um prazer ter meu título entre os deles, os donos do Buffalo Bar dizendo que era tudo por conta, um dia fantástico e eu indo de 12 em 12 minutos ao banheiro vomitar água, única coisa que me descia, porque quetamina não é brincadeira, amigos, não é brincadeira.”

Fiquei encantada com Florencia Escudero em Yangshuo:

“O ônibus parou no meio do campo e tivemos de caminhar até o centro. Yangshuo é uma cidade pequena para os parâmetros chineses: com 300 mil habitantes, fica no estado de Guanxi, logo abaixo da badalada Guilin, à beira do Rio Li. São 1,4 mil anos de história, mas os turistas só começaram chegar lá na década de 1980, quando o guia Lonely Planet revelou o segredo bem guardado da sua beleza. A paisagem era mesmo tirada de uma foto – as casinhas de teto amarelo apertadas às margens da água, as ruas de terra vermelha, as velhinhas de pele enrugada e os pássaros pretos pousados nos barcos.”

Fiquei apaixonada pela Istambul de Lívia Aguiar:

“Acordei tarde, saí direto para almoçar. O pôr do sol visto da Torre de Gálata é uma entidade viva.
Lá de cima, admirei os três braços de água da cidade iluminados pela hora mais laranja: Mar de Mármara, Bósforo (estreito que separa Europa e Ásia) e Chifre de Ouro (estuário que rasga o lado europeu). Tríplice fronteira aquática que, nesta época do ano, veste-se de turquesa com diamantes solares para agradar o entardecer. Subi a torre por acaso quando vi uma fila que ocupava suas escadas de pedra. Lá de cima, a gente se sente realmente no umbigo do mundo – Omphalion, como já disseram os gregos”.

 

Livro Queria ter ficado mais // Foto: Somente Flávia

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