Uma perseguição no Museu do Louvre

Por Ariella Feo
Sou formada em Relações Internacionais, tenho MBA, casada a 4 anos e meio e fiquei um dia em Paris em férias pela Europa.
Eu cheguei de metrô ao Museu do Louvre pela estação Palais Royal. Era por volta de 9:30h da manhã, vim sozinha e fiz vídeos na Pirâmide Invertida e fotos. Havia muitos turistas asiáticos, em grupo. Eu entrei na fila para passar no raio x, ali na frente da Pirâmide Invertida. Eu já tinha comprado ingresso pela internet. No meio da chegada da minha vez foi que o homem, falando italiano, estava de pulôver cinza claro, tinha olhos claros, entrou na minha frente e tentou aparentar ligação comigo.
Entrei na fila, com dezenas de outros turistas, quando já ia chegando perto da entrada de segurança, entrou na minha frente um cara; ele trocou algumas palavras em italiano com outro cara que estava na minha frente, então pensei que se conheciam e não encrenquei com isso.
Eu estava sozinha. O cara tentou puxar papo comigo, mostrando os pássaros na pirâmide invertida e tal.  Eu, latina, pensei que ele estava fazendo isso como um pedido de desculpa ou pra ter certeza que estava tudo bem ter entrado na minha frente. Fui simplesmente simpática e respondia sorrindo.

Na hora de passar no raio x, o cara puxou minha bolsa de dentro do raio x, como querendo mostrar contato comigo, e eu achei que era só gentileza, novamente. Peguei minha bolsa e saí. O cara também. Não o vi mais lá dentro.

Aí meu pesadelo começou: comecei a ser seguida por um guarda do museu como se eu fosse uma criminosa. O segurança que passou a me seguir, tinha um uniforme diferente dos demais, parecia polícia. Camisa de botão azul clara, calça preta, parecia estar armado. Ele tinha estatura média, bem branco, cabelo loiro / branco, olhos azuis. Um pouco gordo. Parecia ter entre 50 / 60 anos. Andava e ele andava do meu lado. Eu parava, ele parava. Um terror. Comprei um audioguide em francês, porque falo o idioma e lá estava o guarda, me acompanhado passo a passo na fila. As pessoas começaram a me olhar e eu tentando achar aquilo normal. Eu até achei que eu era alvo de ladrões, e fiquei preocupada com a minha bolsa.

Quando entrei na exibição, precisei perguntar, em francês, claro, o que estava acontecendo; perguntei se ele queria me perguntar algo. E ele começou a gritar comigo dizendo que não podia dizer. E eu insisti: você está me seguindo e eu não fiz nada. E ele, gritando, me apontando a entrada: alez, alez, continue ton tour!
Eu tentei falar em inglês e o cidadão disse que não falava inglês. Eu continuei a conversa em francês, me coloquei à disposição pra conversarmos e ele se recusou. Eu disse: sou turista, sou do Brasil, Não fiz nada! E ele me respondia irônico: eu também, eu também sou turista!

Foi um pesadelo! Não cheguei a entrar em nenhuma ala. Ali da entradinha, depois de tentar diálogo sem sucesso, troquei mensagens de voz com meu marido pelo telefone, que pediu que eu fosse embora daquele lugar. Muito apavorada, eu voltei pra fila do audioguide a fim de retornar e pegar meu passaporte de volta. Dali desci as escadas rolantes e o segurança ficou me olhando ir embora. Não tenho certeza se ele me seguiu até à saída, porque eu não queria olhar pra trás e demonstrar medo. Passei pelas lojas do piso da pirâmide invertida, que ainda estavam fechadas e com a fila de turistas na frente; subi escadas rolantes logo a frente, que deram para uma saída na rua. Ali desabei a chorar, com uma funcionária que estava de uniforme preto com detalhes vermelhos, e com outra, que estava de folga, mas que me deu o apoio que podia.

Desabei a chorar  de raiva, de tristeza, de impotência. Que absurdo passar por algo que não fiz! 

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