Viajar é uma arte e companhia nem sempre faz parte

Por Marcela Falco, do blog Diário de Navegador

Como toda arte, nada é obrigatório. Arte é livre, inusitada e pessoal. Viajar não é diferente. Viajar sozinha, com o namorado, com as amigas, com a família. A companhia é só uma parte da sua experiência.

A primeira vez que me aventurei sozinha o Facebook quase não era usado no Brasil, não tinha relatos de outras mulheres viajantes (que eu tenha visto, pelo menos) e eu não sabia que poderia ser julgada ou ter medo de ir. Foi em 2011, quando fiz um intercâmbio de sete meses para o Canadá aos 17 anos. Sabe aquela frase do “sem saber que era impossível, foi lá e fez?” Então, me senti quase assim rs.

E não me refiro ao intercâmbio, que também enfrentei sozinha. Me refiro a viagens que realizei com amigas ou sozinha enquanto estava no país. Aproveito este blog incrível para relatar a minha primeira experiência sem familiares ou agências.

Eu morava em uma cidade pequena perto de Vancouver. Um final de semana, resolvi ir para Vancouver com uma amiga brasileira para aproveitarmos esta cidade incrível. Nossas “famílias” canadenses foram muito tranquilas e nos deixaram ter essa experiência mesmo sendo menores de idade em um país estrangeiro. Meu pais aqui no Brasil ficaram desorientados quando contei por e-mail onde estava. E foi aí que percebi que algumas pessoas criavam na nossa cabeça o medo de viajar “sozinha”. Eu sempre pensava, “mas como sozinha, se somos duas?”

Eu apenas respondi para eles: está tudo bem. Eu sei me virar! Mando um e-mail quando voltar para casa.

 

Vancouver

Eu fiz nossas reservas em um hostel super legal da cidade. Saímos para comer, passear, aproveitar cada canto possível de Vancouver. E foi tão tranquilo, tão prazeroso, tão libertador. Ali mesmo, eu fui mordida pelo bichinho da viagem.

Hoje percebo que se eu tivesse pedido para os meus pais que estavam no Brasil sem saberem ao certo como era a minha vida no Canadá, se eu tivesse lido notícias na internet, se eu tivesse perguntado a alguém o que achava e se era perigoso, talvez eu não tivesse ido. Eu fui sem saber que as pessoas poderiam condenar ou encher minha cabeça contra.

As opiniões e relatos são muito presentes hoje, para o bem e para o mal. Ao mesmo tempo que construímos uma rede de viajantes mulheres, somos bombardeadas com tabus e o que chamo de “histórias de terror”, aquela história de final triste que estão sempre esperando para te contar.

Canadá

Hoje mais do que nunca, percebo que a vontade de viajar, mesmo cheia de incentivos de fora, vem de dentro. Problemas sempre existem e relatos felizes também. Só temos que escolher qual vamos seguir.

Viajo sozinha e acompanhada desde então e devo dizer que existe uma satisfação enorme em cada trajeto. Viajar sozinha é uma forma de autodescobrimento que ainda não vi igual. É aquele momento definidor que você percebe que pode ser feliz sozinha, que sabe se virar e que companhia é apenas um extra na vida.

Adoro viajar com minhas amigas, com meu namorado e com a minha família. Mas não tem nada que me impeça de me aventurar por conta própria. Já descobri que sou uma ótima companhia para mim mesma! E te convido a descobrir o mesmo.

Leia, aprenda, tire dúvidas e esteja preparada. Seja sua melhor companhia e a partir daí, veja se quer outras companhias também. Ou não. Afinal, não é item obrigatório no estado da arte de viajar!
Marcela é escritora do blog Diário de Navegador, onde compartilha dicas de viagem, destinos e como viajar barato. É Turismóloga e Analista Internacional por formação e blogueira por vocação. Morou no Canadá por 7 meses, na Itália por 6 meses e conhece 15 países.

Blog: http://diariodenavegador.com/

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