quênia maria fernanda romero

O que não te contaram sobre o Quênia

A jornalista Maria Fernanda Romero viaja o mundo há cerca de 3 anos e há poucas semanas chegou ao Quênia e nos contou suas primeiras impressões sobre o país e as experiências pelas quais ela passou.

Por Maria Fernanda Romero

Comecei meu mochilão pela África no Quênia. Sim, diferente do que muita gente pensa, África não é um país. É um continente com 54 países diferentes entre si, com pluralidade e riquezas, mas também com muitos contrastes.

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Primeiras Impressões sobre o Quênia

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Era hora de fazer o checkout. Minha carona para o próximo destino demorava então resolvi passar as fotos para o computador enquanto esperava. Sentada em uma das cadeiras da pensão abri meu computador, já despertando curiosidade em uma das mulheres que ali trabalhavam. Ela se levantou e andou até mim. “O que está fazendo?” Mostrei a foto que abria na tela do computador e perguntei se ela tinha gostado. Na hora ela já chamou outra amiga. Elas comentaram algumas coisas em swahíli e perguntaram em inglês da onde eu era. Eu disse que do Brasil. Isso causou muito espanto e euforia nas duas mulheres. Outra curiosa que andava por ali, percebeu a movimentação diferente e também se juntou a nós. “E como é o Brasil?” Elas queriam saber. “É grande? É bonito? Como é o mar?” “Tem negros?” Uma voz se sobressaiu. “Sim, sim” respondi “É grande e bonito. O mar é… maravilhoso. E tem negros também. Na verdade é a metade da população, talvez seja até a maioria.” Elas se olharam espantadas. Me mediram de cima a baixo e uma até soltou uma risada. “Verdade? Mas negros, assim como eu?” Me perguntou estendendo o braço. Achei que seria difícil convencê-las com meu tom de papel, mas reforcei quase jurando “Sim! Negros como você!” Agora já eram cinco. E queriam saber muito mais sobre o Brasil. “ Eu observei muitas semelhanças. Em muitas coisas o Kênya é como o Brasil.” Elas debateram entre si em swahilli. Não deviam estar acreditando em nada. “Eu quis passar o ano novo na praia porque é uma coisa muito comum no Brasil e no último ano eu já passei longe. Então, esse ano quis matar a saudade do mar. E realmente lembra muito a alguns lugares que já fui lá. No Brasil é comum pular sete ondas na hora da virada. E cada onda é um pedido.” “Seven wishes??!! Vocês fazem sete desejos no começo do ano??” Uma delas quase gritou. “Aqui a gente só faz um!” “Ah, mas isso é bom! Dá pra focar só nesse pedido!” As conversas em paralelo no dialeto local já tinham ganho uma proporção tão grande, que acho que elas nem me ouviram mais.

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Penso que a forma que fomos colonizados, reduziu muito nosso conhecimento, histórico, geográfico, cultural e social, sobre o continente africano. Viajar por aqui tem sido um enorme aprendizado. Sobre as diferenças do mundo, sobre realidades diversas e principalmente, sobre como desconstruir preconceitos.

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O Quênia foi formado por 42 tribos. A maior de todas é a Kuyuyu e a mais famosa é a Massai. Infelizmente, a cultura tribal tem se perdido. Ainda se observa alguns dos costumes deles, como a forma de se vestir, colorida e principalmente, usando vários acessórios é uma delas.   

Desigualdade Social no Quênia

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Meninos brincando no mar no Quênia // Foto: Maria Fernanda Romero

Aqui observo grande desigualdade social. Assim como no Brasil, porém ainda mais evidente. Os preços de tudo que não é necessário para viver é extremamente caro. Bebidas alcoólicas, bares, baladas e passeio turísticos como os famosos safáris, são realmente surreais. Na verdade tudo tem dois preços, o preço real e o preço de “muzungo”, branco em swahili, a língua local.

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Um mar de tuk tuks // Foto: Maria Fernanda Romero

O trânsito por aqui, em geral, é uma loucura. Além do Matatu, o nome da van por aqui, outros meios de transportes comum por aqui são o tuk-tuk, um triciclo motorizado e também o boda-boda, o moto-táxi. A maioria dos boda-boda andam com três passageiros e sem capacete.

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Outra coisa que me chamou bastante atenção foi a questão do lixo. Não existe coleta de lixo pública. Então, quem não tem dinheiro para pagar, ou enterra o lixo em casa ou queima. Muito normal estar andando nos bairros mais periféricos e ver aquela fumaça branca e fedida. É o lixo queimado

Sendo uma mulher viajante no Quênia

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Em meio aos cânions no Quênia // Foto: Maria Fernanda Romero

Já estou viajando sozinha há um tempo e o machismo e assédio tem sido um problema constante. Aqui não foi diferente. A lei permite que um homem tenha mais de dois casamentos. O que é muito bizarro para nós. Não tem nada a ver com a religião muçulmana, é apenas machismo.

Um não na balada

Me sinto muito olhada, mas não sofri nenhum episódio grave de assédio. A pior situação que aconteceu comigo, foi um homem desagradável, que em uma balada, depois de uma amiga dizer que nós não estávmos interessadas em nada além da amizade nos ameaçou de deportação. Foi engraçado, mas também senti medo. Tinha acabado de chegar!

Que roupa usar?

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Mafer fazendo a modelete na areia // Foto: Maria Fernanda Romero

Coloco sempre roupas que cobrem meus ombros e pernas para sair. Mas há alguns dias, no lugar que estou morando, uma das mulheres que também vive aqui me pediu pra colocar uma saia por cima do shorts que eu estava usando. Mesmo em casa ela disse que era desrespeitoso. Me senti envergonhada e, apesar do calor, troquei por uma calça.

Muitas coisas mudaram dentro de mim desde que comecei essa viagem. Quebrei muitos preconceitos, principalmente em relação as condições sociais daqui. Vi shoppings luxuosos, prédios gigantes, hospitais sem fila, resorts e preços absurdamentes abusivos. Mas a maior mudança foi valorizar ao extremo toda minha sorte e privilégio em viver essa experiência.

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Mãe e filho no Quênia // Foto: Maria Fernanda Romero

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